Anthropic gasta mais dinheiro do que fatura para bancar IA

Dona do Claude teve receita de US$ 4,6 bilhões no último ano, mas prejuízo operacional foi praticamente o dobro.

Felipe Faustino
• Atualizado às 15:57
Resumo
  • A Anthropic registrou prejuízo operacional de US$ 8,06 bilhões no ano passado, apesar de uma receita de US$ 4,6 bilhões.
  • A empresa assumiu US$ 518 bilhões em compromissos futuros com provedores de nuvem e infraestrutura, com gastos de US$ 7,33 bilhões em computação e infraestrutura no ano passado.
  • A dona do Claude avalia uma Oferta Pública Inicial (IPO) que pode valorar a companhia em mais de US$ 2 trilhões e financiar sua expansão.

Apesar do consumo abrangente pelo público, a corrida pela liderança no setor da IA ainda está saindo muito cara. Para a Anthropic, a receita de US$ 4,6 bilhões (aproximadamente R$ 24 bilhões) registrada no ano passado ficou longe de ser suficiente para dar lucro: o prejuízo operacional foi quase o dobro, US$ 8,06 bilhões (R$ 42,2 bilhões).

Os números são do prospecto da futura Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) da startup, responsável pelo Claude, que pode atingir um valor de superior a US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões). A oferta inicial é o momento em que uma companhia passa a vender suas ações ao público. Tanto a Anthropic quanto a OpenAI, dona do ChatGPT, pretendem fazê-la no futuro.

A receita da empresa cresceu cerca de 12 vezes no ano passado, mas os gastos também subiram bastante. Foram US$ 7,33 bilhões (R$ 38,3 bilhões) desembolsados em computação e infraestrutura, mais que o triplo do valor registrado em 2024.

O documento, obtido pela Reuters, mostra que essas despesas são mais da metade dos US$ 12,65 bilhões (R$ 66,2 bilhões) gastos pela companhia em sua operação durante o período. O resultado líquido das despesas atingiu US$ 42 bilhões (R$ 219,9 bilhões) no ano passado, sendo a maior parte do valor em encargos contábeis que podem ser convertidos em ações no futuro.

Gastos com infraestrutura são os principais

O principal peso sobre a conta está na infraestrutura. Treinar sistemas e disponibilizá-los para os clientes exige maior capacidade de computação, como investimentos em chips, concorridos por várias empresas, além de servidores.

A conta para a Anthropic não deve diminuir tão cedo. Segundo a agência Reuters, a empresa já teria assumido US$ 518 bilhões (R$ 2,7 trilhões) em compromissos futuros relacionados a provedores de nuvem e infraestrutura, valor que deve ser pago no decorrer dos próximos anos.

Em 31 de dezembro de 2025, a companhia tinha US$ 20,28 bilhões (R$ 106 bilhões) em caixa e em aplicações de curto prazo. Parte dos recursos vem de parceiros, como Amazon e Google, que investiram bilhões e fornecem tecnologia para a empresa.

IPO deve financiar expansão

O prospecto também chama a atenção para a concentração de clientes. Cerca de 25% da receita de 2025 da companhia veio de apenas dois clientes, e grande parte dos compradores corporativos não está presa a contratos de longo prazo — eles podem sair a qualquer momento e desfalcar os ganhos.

Por conta disso, a abertura de capital tem se tornado a grande solução. A empresa avalia uma oferta que poderia colocá-la na bolsa com valor de mercado superior a US$ 2 trilhões, segundo fontes ouvidas pela agência. Isso é quase o dobro dos US$ 965 bilhões (R$ 5 trilhões) estimados em maio.

A listagem pode acontecer após as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que ocorrem em novembro. A companhia ainda não confirmou publicamente uma data para o IPO, que também deve ser feito pela OpenAI, sua principal concorrente no setor.

A empresa de Sam Altman também submeteu as documentações iniciais à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) no começo de junho. O processo, porém, não deve ocorrer antes de 2027, disse o executivo neste mês.

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Felipe Faustino

Redator

Felipe Faustino é bacharel em jornalismo pela Universidade de Ribeirão Preto (Unaerp). Escreve sobre tecnologia, eletrônicos e ciências, editoria na qual também atuou pelo Jornal da USP. Além de jornalista, fã de tecnologia e fissurado por questões de meio ambiente, é, sobretudo, apaixonado pela DC Comics e pelo SPFC.