Anthropic gasta mais dinheiro do que fatura para bancar IA
Dona do Claude teve receita de US$ 4,6 bilhões no último ano, mas prejuízo operacional foi praticamente o dobro.
Dona do Claude teve receita de US$ 4,6 bilhões no último ano, mas prejuízo operacional foi praticamente o dobro.

Apesar do consumo abrangente pelo público, a corrida pela liderança no setor da IA ainda está saindo muito cara. Para a Anthropic, a receita de US$ 4,6 bilhões (aproximadamente R$ 24 bilhões) registrada no ano passado ficou longe de ser suficiente para dar lucro: o prejuízo operacional foi quase o dobro, US$ 8,06 bilhões (R$ 42,2 bilhões).
Os números são do prospecto da futura Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) da startup, responsável pelo Claude, que pode atingir um valor de superior a US$ 2 trilhões (R$ 10 trilhões). A oferta inicial é o momento em que uma companhia passa a vender suas ações ao público. Tanto a Anthropic quanto a OpenAI, dona do ChatGPT, pretendem fazê-la no futuro.
A receita da empresa cresceu cerca de 12 vezes no ano passado, mas os gastos também subiram bastante. Foram US$ 7,33 bilhões (R$ 38,3 bilhões) desembolsados em computação e infraestrutura, mais que o triplo do valor registrado em 2024.
O documento, obtido pela Reuters, mostra que essas despesas são mais da metade dos US$ 12,65 bilhões (R$ 66,2 bilhões) gastos pela companhia em sua operação durante o período. O resultado líquido das despesas atingiu US$ 42 bilhões (R$ 219,9 bilhões) no ano passado, sendo a maior parte do valor em encargos contábeis que podem ser convertidos em ações no futuro.

O principal peso sobre a conta está na infraestrutura. Treinar sistemas e disponibilizá-los para os clientes exige maior capacidade de computação, como investimentos em chips, concorridos por várias empresas, além de servidores.
A conta para a Anthropic não deve diminuir tão cedo. Segundo a agência Reuters, a empresa já teria assumido US$ 518 bilhões (R$ 2,7 trilhões) em compromissos futuros relacionados a provedores de nuvem e infraestrutura, valor que deve ser pago no decorrer dos próximos anos.
Em 31 de dezembro de 2025, a companhia tinha US$ 20,28 bilhões (R$ 106 bilhões) em caixa e em aplicações de curto prazo. Parte dos recursos vem de parceiros, como Amazon e Google, que investiram bilhões e fornecem tecnologia para a empresa.
O prospecto também chama a atenção para a concentração de clientes. Cerca de 25% da receita de 2025 da companhia veio de apenas dois clientes, e grande parte dos compradores corporativos não está presa a contratos de longo prazo — eles podem sair a qualquer momento e desfalcar os ganhos.
Por conta disso, a abertura de capital tem se tornado a grande solução. A empresa avalia uma oferta que poderia colocá-la na bolsa com valor de mercado superior a US$ 2 trilhões, segundo fontes ouvidas pela agência. Isso é quase o dobro dos US$ 965 bilhões (R$ 5 trilhões) estimados em maio.
A listagem pode acontecer após as eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, que ocorrem em novembro. A companhia ainda não confirmou publicamente uma data para o IPO, que também deve ser feito pela OpenAI, sua principal concorrente no setor.
A empresa de Sam Altman também submeteu as documentações iniciais à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC, na sigla em inglês) no começo de junho. O processo, porém, não deve ocorrer antes de 2027, disse o executivo neste mês.
{{ excerpt | truncatewords: 35 }}
{% endif %}