IBM anuncia tecnologia de chip de apenas 0,7 nanômetro

Nó "sub-1 nanômetro" da IBM permite que chip concentre aproximadamente 100 bilhões de transistores, o dobro da tecnologia anterior, de 2 nm.

Emerson Alecrim
• Atualizado às 08:11
Resumo
  • IBM anunciou tecnologia com nó de 0,7 nanômetro (7 angstroms), permitindo que um chip do tamanho de uma unha concentre cerca de 100 bilhões de transistores;
  • nova tecnologia, que utiliza uma arquitetura de transistor do tipo Nanostack, oferece até 50% mais desempenho ou até 70% menos consumo energético em relação ao nó de 2 nm anunciado em 2021;
  • IBM prevê que chips com nó “sub-1 nanômetro” entrarão em produção dentro dos próximos cinco anos, podendo beneficiar aplicações de inteligência artificial e outras áreas.

As pesquisas sobre tecnologias de fabricação de chips acabam de chegar a um nível notável: a IBM anunciou a sua primeira tecnologia de chip com nó “sub-1 nanômetro”. Trata-se de uma arquitetura de transistor com nó de 0,7 nm ou 7 angstroms, para ser exato. Isso permite que um chip do tamanho aproximado de uma unha concentre cerca de 100 bilhões de transistores.

Convém deixar claro desde já que 1 angstrom é uma medida que corresponde a 0,1 nanômetro. É por isso que a tecnologia apresentada pela IBM pode ser descrita como um nó de 0,7 nm ou de 7 angstroms.

Para você ter noção do salto tecnológico que isso representa, em 2021, a IBM anunciou um processo de fabricação de 2 nanômetros. Esse patamar, que continua impressionante até os dias atuais, permite que um chip com o mesmo tamanho de uma unha abrigue cerca de 50 bilhões de transistores.

Isso significa que, em cinco anos, a IBM praticamente dobrou a quantidade de transistores que podem ser acomodados na mesma área de um chip.

Em termos um pouco mais práticos, a companhia indica que o chip com tecnologia de 0,7 nm oferece até 50% mais desempenho ou até 70% menos consumo energético para o mesmo nível de desempenho em relação ao nó de 2 nm anunciado em 2021. É um avanço expressivo para uma época com alta demanda por IA, embora aplicações de outros tipos também possam ser beneficiadas.

Como a IBM chegou a um chip de 7 angstroms?

A principal característica da nova tecnologia é uma arquitetura de transistor do tipo Nanostack, que empilha e intercala camadas de transistores.

Para entendermos o que isso significa, olhemos novamente para a tecnologia de 2 nm (que, reforço, continua sendo impressionante). Nela, os transistores seguem uma abordagem do tipo Nanosheet, em que camadas de silício são empilhadas dentro de cada transistor.

O Nanostack vai além, pois mantém os canais Nanosheet, mas coloca um transistor sobre o outro, otimizando o espaço disponível de modo que mais transistores caibam na mesma área de silício que seria ocupada pela tecnologia anterior.

O mais recente avanço de chip da IBM marca um momento histórico na computação, levando a tecnologia além da era do nanômetro para a escala dos átomos.

Com nossa nova arquitetura Nanostack, não estamos apenas criando transistores menores, estamos reinventando a forma como os chips são construídos para oferecer muito mais potência e eficiência energética.

Jay Gambetta, Diretor da IBM Research e IBM Fellow

É claro que esse tipo de tecnologia não tem adoção imediata. Mas também não estamos falando de algo para um futuro muito distante: a IBM prevê que chips com nó “sub-1 nanômetro” entrarão em produção dentro dos próximos cinco anos.

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Emerson Alecrim

Emerson Alecrim

Repórter

Emerson Alecrim cobre tecnologia desde 2001 e entrou para o Tecnoblog em 2013, se especializando na cobertura de temas como hardware, sistemas operacionais e negócios. Formado em ciência da computação, seguiu carreira em comunicação, sempre mantendo a tecnologia como base. Em 2022, foi reconhecido no Prêmio ESET de Segurança em Informação. Foi reconhecido nas edições 2023, 2024 e 2025 do Prêmio Especialistas, em eletroeletrônicos. Participa do Tecnocast, já passou pelo TechTudo e mantém o site Infowester.