Ubuntu cresce mais no Windows do que no próprio Linux
Desenvolvedores estão deixando o dual boot de lado para rodar projetos de programação dentro do Windows 11.
Desenvolvedores estão deixando o dual boot de lado para rodar projetos de programação dentro do Windows 11.

A base de usuários do Ubuntu rodando dentro do Windows 11, por meio do Subsistema Windows para Linux (WSL), está crescendo mais rápido do que as instalações nativas em desktops. A observação estatística foi feita pela Canonical, empresa responsável pelo desenvolvimento da distribuição Linux. A projeção oficial é que o uso, impulsionado pela ferramenta da Microsoft, ultrapasse o número de máquinas que rodam o sistema nativamente já nos próximos meses.
O cenário revela uma grande mudança no mercado de tecnologia. A antiga rivalidade entre os dois ecossistemas deu lugar a uma integração profunda em que o Windows atua como o sistema hospedeiro, enquanto o Linux opera como o ambiente mais prático de desenvolvimento e execução de códigos.
O fenômeno ganha força no meio corporativo devido à união entre praticidade e restrições comuns no ambiente de trabalho. Profissionais de tecnologia costumam receber máquinas equipadas com Windows dos empregadores, sujeitas a políticas de segurança que proíbem a formatação do equipamento ou a configuração de outros sistemas em dual boot.
O vice-presidente de Engenharia da Canonical, Jon Seager, explicou em entrevista ao The Pragmatic Engineer que a demanda é impulsionada, em grande parte, por fluxos de trabalho que envolvem inteligência artificial e aprendizado de máquina. Com o WSL, o usuário instala o Ubuntu no ambiente da Microsoft. Uma vez configurado, a interação ocorre pelo aplicativo de Terminal, permitindo acessar janelas gráficas do Ubuntu direto na área de trabalho do Windows, por exemplo.
Essa flexibilidade acabou tornando o WSL uma solução quase padrão. Ele entrega o ecossistema que as ferramentas de IA exigem, sem interferir na camada de gerenciamento do Windows, que executa o controle corporativo exigido pelas empresas.

A Microsoft investiu em melhorias profundas no WSL, como transferências de arquivos mais velozes entre os dois sistemas e configurações de rede mais estáveis. Em termos de processamento bruto, a integração já possibilita rodar modelos pesados de IA utilizando acesso direto à GPU de dentro do Linux.
A estratégia também se reflete nos servidores, com a empresa mantendo o Azure Linux, sua própria distribuição de código aberto.
Apesar dos indícios de uma inversão nas métricas de instalação, o ambiente Linux nativo ainda mantém relevância técnica em determinados cenários. O WSL não substitui a experiência de controle total sobre os recursos de hardware oferecida por um computador com Ubuntu nativo. Além disso, desenvolvedores relatam restrições de licenciamento ou conflitos de rede no WSL.
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